Donkey Kong Bananza

Quando tudo o que precisamos é de destruição.

Donkey Kong Bananza veio para ser um dos primeiros grandes destaques do Nintendo Switch 2, trazendo de volta, agora em alta resolução e com uma identidade absurda de forte, o macaco mais famoso dos games, e dessa vez, acompanhado de Pauline, numa dupla que facilmente vira o coração da aventura. Porque até um gorila que resolve tudo na base do soco precisa de uma amiga leal.

Emoção no caos

switch 2

Se eu tivesse que usar uma palavra para definir Bananza, seria: Crocante.

Tudo aqui tem impacto. O chão quebra, paredes explodem, montanhas viram crateras e praticamente qualquer cenário parece implorar para ser destruído. Existe uma satisfação quase infantil em simplesmente sair abrindo caminho no braço, descobrindo cavernas escondidas, atalhos e colecionáveis enterrados no caos. É destruição com propósito, misturada com banana, dopamina e aquele sentimento constante de “só mais um pouquinho"

A movimentação também merece destaque, DK é pesado, brutal , cheio de carisca em suas animações e exageradamente divertido de controlar.
Cada pulo, corrida e golpe transmite força de um jeito quase tátil, enquanto o jogo consegue transformar destruição em plataforma de uma forma extremamente criativa.
Seu objetivo é chegar ao centro do mundo e impedir uma corporação inimiga de explorar aquele universo, mas a jornada é o verdadeiro foco aqui. E graças a uma direção muito carismática, Bananza consegue equilibrar humor, ação e momentos sinceramente emocionantes.

Pauline rouba a cena

Pauline fala. E muito.

E isso é um elogio enorme.

Seja durante exploração, batalhas, momentos calmos ou simplesmente enquanto DK destrói metade do cenário por diversão, Pauline está sempre presente com comentários naturais e extremamente carismáticos. A química entre os dois funciona o tempo inteiro, ela não parece colocada só para ter falas engraçadas, ela é parte do coração e da batida do jogo, como uma musica que precisa ds intrumentos específicos para funcionar, com uma dublagem surpreendentemente forte, é difícil não se apegar à personagem.

Sua história toca bastante em música, sonhos, insegurança e autoconhecimento, trazendo um lado emocional que eu sinceramente não esperava em um jogo sobre destruição, e spoiler sem spoiler: derrubou lágrimas minhas.

O mais interessante é como o jogo trata o jogador, Desde o início, Bananza passa uma sensação constante de incentivo, ele quer que você experimente, erre, tente de novo e continue avançando, parece que o jogo quer que você saiba que sempre existe outro caminho, e isso funciona muito bem principalmente para novos jogadores, fora o multiplayer, como pauline o segundo jogador pode clonar blocos, areia, terra e até lava e ajudar o DK a passar os obstáculos.

E como sempre, jogar com os amigos é sempre melhor, principalmente em um jogo sobre amizade e parceria.

Um espetáculo audiovisual

Visualmente, Bananza é absurdamente expressivo, as animações são cheias de personalidade, os cenários possuem detalhes escondidos em todos os cantos e a destruição nunca perde o impacto visual, a trilha sonora também merece muito crédito, misturando músicas energéticas, momentos mais emocionais e vários remixes inspirados em jogos anteriores da franquia.

E mesmo em meio a tanto caos na tela, o jogo consegue manter uma direção extremamente clara, você sempre entende para onde ir, mas nunca deixa de querer explorar cada canto antes.

Vale a pena para novos jogadores?

Definitivamente.
DK bananza entende muito bem que nem todo mundo cresceu decorando combinação de controle ou passando raiva em fases impossíveis dos anos 90 feitas por desenvolvedores que claramente odiavam crianças, ou queria ganhar dinheiro nas máquinas de fliperama.

Mesmo sendo um jogo grande, cheio de exploração e mecânicas diferentes, Bananza quase nunca intimida o jogador.
A movimentação é simples de entender, os objetivos são claros e a própria destruição funciona como uma espécie de ferramenta de conforto, se você não consegue seguir por um caminho, provavelmente pode literalmente abrir outro no soco.

E isso cria uma sensação muito boa de liberdade.

O jogo constantemente recompensa curiosidade, experimentação e insistência, sem punir exageradamente quem está aprendendo, Pauline também ajuda bastante nisso, tanto através dos diálogos quanto da forma como acompanha o jogador durante a aventura, ela chega até avisar que tem um inimigo atrás de você, e isso é lindo e sempre mantendo aquele clima acolhedor e incentivando você a continuar.

Existe um cuidado muito grande para transformar falha em descoberta ao invés de frustração, e sinceramente, poucos jogos conseguem fazer isso tão bem hoje em dia.

Mas o mais importante: Bananza nunca trata novos jogadores como burros.
Ele simplifica sem parecer vazio, ensina sem interromper toda hora e consegue manter aquela sensação genuína de aventura e descoberta mesmo para quem talvez esteja entrando agora no mundo dos jogos.

No fim, é exatamente o tipo de jogo que pode fazer alguém se apaixonar por videogames, ou quem estava desesperançoso com uma indústria que lança milhares de jogos todo o ano, muitos genéricos e sem alma, voltar a acreditar que jogos continuam sendo arte.

Seja pela destruição exagerada, pelo humor, pela exploração ou pela relação extremamente carismática entre DK e Pauline, tudo aqui parece pensado para manter o jogador sorrindo enquanto o cenário inteiro desaba na sua frente, eu sorri, a todo momento, mesmo não sendo o maior fã da franquia Donkey kong, esse jogo acalmou meu coração, e as lagrimas que cairam foram por ver um jogo tão lindo na minha frente como por me lembrar que um dia, tudo que é lindo tem que ter um fim, Um conceito estranhamente terapêutico, considerando que a solução de quase todos os problemas continua sendo esmurrar o chão até algo acontecer.

E sim, destruição pode ser algo bonito, se acompanhado de música e muito amor.