Metroid Prime 4: Beyond


Switch 1, switch 2


Metroid Prime 4: Beyond A Bela Inconsistência entre a Imensidão e o Isolamento
Ao abrir Metroid Prime 4: Beyond, fiquei imediatamente deslumbrado as etapas iniciais, a música inicial, os gráficos primorosos, o design de som e a direção de arte irretocável entregam um vislumbre belíssimo do que o jogo pretendia ser.
No entanto, esse impacto inicial logo revela as cicatrizes de seu desenvolvimento conturbado, traduzidas em escolhas de design questionáveis a começar pelo seu suposto "mundo aberto".
O Vazio do Deserto vs. A Densidade Clássica
A franquia Metroid Prime sempre teve a missão de transpor a essência do metroidvania bidimensional para o ambiente 3D, mantendo o sentimento de isolamento e descoberta de Samus Aram.
Aqui, a Nintendo tentou expandir essa fórmula, mas acabou criando um meio-termo incômodo. Em vez de um mundo interconectado e orgânico, recebemos áreas semiabertas costuradas por um deserto visualmente deslumbrante, mas estruturalmente vazio.
Nas primeiras horas, a vastidão da areia impressiona, contudo, na reta final do jogo, quando o retorno a esse hub se torna crucial, o cansaço se instala.
É nítido que a inclusão de Viola, a moto companheira de Samus, indica planos originalmente muito maiores para essa região, que acabou virando um espaço de transição subutilizado.
Em contrapartida, quando saímos do deserto e entramos nas áreas fechadas, Beyond entrega um show à parte.
As florestas, as zonas vulcânicas e as regiões gélidas trazem o melhor da fórmula Prime:
• Puzzles consistentes e inteligentes;
• Um backtracking instigante que recompensa a exploração;
• Trilha sonora imersiva e uma dificuldade perfeitamente balanceada.
Arsenal, Narrativa e o Peso da Federação
O arsenal de Samus continua sendo o ponto alto da jogabilidade. A transição fluida para a Morph Ball, os disparos e o uso de habilidades como a telecinese e o clássico Scanner entregam tudo o que se espera de um shooter de ficção científica de alto nível.
As boss fights são espetáculos cinematográficos à parte, mesmo as menos inspiradas são sustentadas por trilhas sonoras memoráveis, afastando qualquer sensação de tempo desperdiçado.


Narrativamente, o jogo acerta em um ponto delicado: os encontros com os soldados da Federação Galáctica. Eles não estão ali apenas para preencher espaço, funcionam como fragmentos de um roteiro que busca humanizar a jornada, gerando uma real necessidade de proteção, na etapa final, a presença deles justifica a urgência das ações de Samus e ancora o peso emocional da missão.
Samus Aram é expressiva, mesmo sem falar. Suas movimentações, suas concordâncias silenciosas, seus gestos... Com o desenrolar do jogo, você vai entrando cada vez mais em sua personalidade, motivações e sentimentos, Mesmo misteriosa, conseguimos sentir sua melancolia e sua satisfação quando uma missão é concluída.
Para novos jogadores:


Acredito que Prime 4, para jogadores que estejam começando a jogar há pouco tempo ou não conheçam muito o gênero, seja muito desafiador e até frustrante. Eu recomendaria tentar começar pelo primeiro Metroid Prime, ou quem sabe um Metroid 2D, caso queira conhecer a série, mesmo que no Prime 4 você não tenha, em questão de história, a necessidade de jogar os anteriores, pois logo no início, temos um resumo de aventuras anteriores. Porém, em questão de jogabilidade, acredito que a quantidade de botões, mecânicas e os puzzles mais desafiadores afastem novos jogadores.
Conclusão: Entre a Indecisão e a Certeza
Metroid Prime 4: Beyond não deve ser reduzido aos tropeços de sua área menos inspirada. Mesmo cruzando o deserto, a expectativa pelo que vinha a seguir, o mistério da próxima floresta ou o perigo do vulcão, mantinha o fôlego do jogo aceso, equilibrando momentos sufocantes e até mesmo sombrios, com viagens contemplativas.
O deserto representa aquela etapa da vida em que estamos indecisos sobre qual caminho seguir, enquanto o restante do jogo simboliza o momento exato em que finalmente encontramos quem de fato queremos ser.
Beyond pode ser inconsistente, mas cada segundo gasto em seus biomas tradicionais fazem a jornada valer a pena.
