Resident evil Requiem

Aonde o terror encontra a ação


Switch 2, Ps5, Xbox series
Quando eu soube que Resident Evil Requiem teria partes de ação e partes de terror, eu fiquei fascinado e curioso: como iriam medir isso?
Eu, quando escolho jogar um jogo de terror, não penso em ação, mesmo o Resident Evil 4 tendo sido nesses moldes, mas ao iniciar Requiem eu senti familiaridade, mas muito... e muito terror.


A ambientação visual ajuda drasticamente
Grace e perseguidora
os cenários são escuros, claustrofóbicos e a iluminação brinca com as nossas expectativas a todo momento, criando sombras que te deixam paranóico.
As partes de terror são com a nova personagem, a Grace, uma detetive com um passado traumático. E ela é marcante, principalmente pela sua atuação e voz, transmitindo horror, ofegante e tensa, com uma dublagem incrível. O design de som aqui brilha muito: cada rangido na madeira, passos arrastados ou o silêncio absoluto te fazem prender a respiração junto com ela.
Requiem, em suas etapas de terror, se escora mais em perseguição do que títulos anteriores, fazendo com que áreas que seriam de mais fácil transição se tornem longas e tensas com a presença de uma perseguidora.
A sensação de estar sendo caçado constantemente eleva a adrenalina e transforma a exploração em um risco calculado.


Outra novidade de Requiem são seus novos zumbis, que se mantêm clássicos, mas com um twist: agora eles lembram partes de sua vida, falam, gemem, acendem luzes, usam armas.
Tem mais terror do que ouvir um zumbi gritando algo com um resquício de humanidade? O visual deles também está mais grotesco e detalhado, refletindo de forma macabra quem eles eram antes da infecção.
A sensação de jogar com a Grace foi tensa, tendo me tirado muitos gritos, muitos: "eu acho que isso vai acontecer", e no final acontecer o inesperado.
A construção da tensão é simplesmente brilhante, interligada com quebra-cabeças bem posicionados que te forçam a pensar rápido enquanto o perigo está literalmente no seu cangote.


Com o Leon a coisa fica bem diferente
Leon kenedy
com direito a áreas semi-abertas, sob a luz do dia, algo não visto antes com a Grace.
O level design dessas áreas abertas recompensa muito a exploração, incentivando a busca por recursos e segredos de uma forma mais livre e horizontal.
Leon tem as mesmas mecânicas de Resident Evil 4: ele dá parry (ricocheteia golpes), desvia, não treme a arma como a Grace, o que é um detalhe simples, mas cheio de profundidade.
Chega a momentos em que tem pontuação para quantos zumbis você derrota, o que faz parecer um jogo completamente diferente, e isso é precioso.
Com sua psicologia, alternando, faz com que o jogador se mantenha sempre no horror jogando com a Grace, não podendo se acostumar muito às suas mecânicas ou chegar a um ponto em que os sustos fossem clichês.
E isso a Capcom fez com maestria: às vezes você está sem fôlego, com medo com a Grace, querendo desistir, e no outro ponto está chutando zumbis e rindo de como eles são burros.
Isso é um looping viciante


Os dois moldes são bem feitos, mas em alguns momentos senti que duraram muito em certas partes. Depois da metade do jogo você fica horas e horas controlando o Leon, chegando até a ser estranho, pois o jogo no início te acostumou com um certo molde de tempo e ritmo, o que para mim, foi algo que poderia ter sido medido melhor para não quebrar a atmosfera.
Para novos jogadores
Acho uma boa pedida para pessoas não muito acostumadas, que queiram, e muito, jogar um jogo de terror.
O jogo tem opções de acessibilidade muito boas, podendo colocar em modos mais fáceis, o que eu recomendaria caso nunca tenha experimentado Resident Evil, pois sua mecânica de escassez e gerenciamento de recursos pode dificultar a entrada de pessoas que estão no escuro no gênero.
Sua história relata traumas de Raccoon City, o que pode abrir brecha para jogadores que tenham gostado de Requiem experimentarem títulos anteriores, além disso, o jogo roda muito bem e apresenta uma performance técnica sólida, o que garante que a imersão nunca seja quebrada por travamentos.
Por fim, em sua maioria, Requiem é um jogo ótimo, bem polido, bonito visualmente e divertido, apesar de sua medida de ritmo um pouco inconsistente e alguns bons monstros repetidos ao longo da campanha.


