Stray é uma experiência cyberpunk onde você controla um gato perdido de sua família em uma cidade habitada apenas por robôs.
A premissa parece simples, mas o jogo conquista justamente pelos pequenos detalhes: o gato consegue arranhar sofás, derrubar objetos, beber água de poças e miar...como um gato deve ser.
O mundo é o maior triunfo do jogo, passando uma sensação melancólica, e uma vontade de tentar descobrir oque aconteceu com aquele mundo.
A direção artística consegue transformar becos escuros e máquinas enferrujadas em cenários vivos, quase como uma pintura interativa. Existe carinho em cada ambiente, em cada robô e em cada animação do gato.
Logo no início do jogo você encontra um parceiro robô que perdeu a sua memória, e é seu objetivo tentar ajuda-lo, ele será a comunicação do gato com aquele mundo, e o desenrolar da trama.
Sua relação com o robô, B12, vai se desenrolando de formas emocionantes e até inesperadas, fazendo valer boa parte da experiência.


As mecânicas são extremamente simples: andar, correr, pular, resolver pequenos puzzles e explorar, Isso faz com que Stray seja fácil de jogar até para quem não tem muito costume com jogos.
Porém, os quebra-cabeças raramente oferecem dificuldade real, acredito que poderiam ter focado mais nesta questão, existem partes do jogo que são completamente puladas, dá metade para o final, se você explorar você se sente recompensado, mas se não...
Não vai estar perdendo muita coisa.
A simplicidade pode fazer algumas partes parecerem superficiais, existem momentos em que o jogo parece depender apenas da estética e do “olha como o gatinho é fofo”, sem desenvolver tanto algumas ideias quanto poderia. Ainda assim, quando funciona, funciona muito bem.
Mesmo com perseguições ocasionais e Algumas sequências mais tensas, Stray é um jogo relaxante, é uma experiência curta, mas marcante, ideal para quem prefere apreciar um mundo bonito e cheio de personalidade ao invés de passar cinquenta horas decorando árvore de habilidade e coletando quinze tipos de minério inútil.
Stray não tenta revolucionar nada, apenas tem um gato e uma ideia em partes bastante promissora, com final emocionante, dá para ver que o jogo foca mais em imersão que em mecânicas, e faz você querer que a BlueTwelve Studio continue um dia esta linda aventura.
E honestamente? Às vezes ser um gato já basta para dar uma chance a esta experiência.






